Os Templos de Selinunte

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Vamos explorar os templos do Complexo Histórico de Selinunte. Situada a oeste de Sicília, esta colônia grega nos deixou uma história riquíssima ligada a conquistas e perdas. Agora exploraremos seu belíssimo conjunto de templos, expressão de um tempo de prosperidade e desenvolvimento. Para nós, amantes de arquitetura,  um mergulho na ordem dórica, seu desenvolvimento e regionalismo siciliano.

 

Detalhe da colunata do templo E.

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Fundada em 628 a.C. Selinunte foi destruída pelos cartagineses em 409 a.C., após um período de difícil reerguimento foi definitivamente destruída 250 a.C. Por conta de seu grande esplendor mesmo que em um curto período, vários foram os templos construídos. Estes estão divididos em dois recintos religiosos. O mais antigo, dentro a acrópole e bem próximo ao mar, a oeste, com cinco templos dóricos em estagio ainda primitivo e o mais recente, a leste, com três templos, sendo que o último, templo G, com proporções colossais, não chegou a ser finalizado.

Este fantástico conjunto de oito templos foi escavado em 1831, trazendo de volta à vida este importante centro a muito esquecido. Infelizmente por conta das duras conquistas vividas e total abandono da cidade após 250 d.C., muitos dos templos encontram-se totalmente destruídos, mesmo assim, graças ao empenho e trabalho arqueológico realizado, muito de sua arquitetura foi resgatada e o que não podemos ver ao vivo, poderemos explorar pelas diversas reconstituições e esquemas que compilamos.

Recinto Religioso Antigo

  • Templo A – 490 a.C. – 16,23 x 40,24m de estilóbato – 14 x 6 colunas. Prostilo hexastilo. Começamos já determinando algumas características bem singulares como a planta alongada. Perístases equilibradas em 14 ou 17 x 6 são características de períodos mais arcaicos.
Reconstituição do Templo A por Robert Koldewey (1855-1925)
Reconstituição do Templo A por Robert Koldewey “Os Templos Gregos no Sul da Itália e Sicília“, Asher, Berlim 1899, Volume 2 -Tabela 15.
  • Templo B – Trata-se de um pequeno templo do período Helenístico, apenas 8,40 x 4,60m. Talvez em culto a Demeter. Foi construído justamente após a primeira destruição da colônia em 409 a.C. Podemos especular que trate-se de um prostilo.
Reconstituição do templo de parte do Complexo Histórico Antigo com Templo B acima à esquerda por Robert Koldewey
Reconstituição do Templo B (acima à esquerda) por Robert Koldewey “Os Templos Gregos no Sul da Itália e Sicília“, Asher, Berlim 1899, Volume 2 -Tabela 7 (parte inferior).

  • Templo C
     – 570 a.C. – 23,93 x 63,76m de estilóbato – 17 x 6 colunas. Prostilo hexastilo. Novamente a planta bem alongada, aqui chegando a uma perístase de 17 colulas. Mas o templo C apresenta outra característica arquitetônica que merece nossa atenção com relação à nave. Há pronau e nau, conforme padrão, mas no lado oposto há um ádito. Recinto somente com acesso interno através da nau ou cela.  Algo característico de períodos arcaicos. Com relação ao pórtico, não há um pórtico para a pronau como usual, porém o arquiteto criou uma falsa ilusão do pórtico convencional in antis replicando a perístase da fachada principal. Mesmo com a colunata duplicada, continua sendo um prostilo hexastilo. O mesmo artifício parece ter sido usado no templo F, posterior.
Templo C Vista pelo lado externo da colunata que ainda resiste. Podemos observar parte do entablamento: arquitrave e friso com os tríglifos bem aparentes, a decoração das métopas infelizmente não pode ser mais ser observada.
Templo C. Vista pelo lado externo da colunata que ainda resiste, ao fundo o mar. Podemos observar parte do entablamento: arquitrave e friso com os tríglifos bem aparentes, da decoração das métopas restam apenas fragmentos.
Vista do Templo C. Sentido Norte. Imaginem os visgantes visndos do mar aso se aproximarem tinha a visão destas imponentes estruturas se erguendo no terreno elevado da acrópole. O Templo C era um dos primeiros a ser avistado do mar.
Vista do Templo C. Sentido Norte. Imaginem os viajantes vindos do mar que ao se aproximarem, tinham a visão destas imponentes estruturas se erguendo no terreno elevado da acrópole. O Templo C seria um dos primeiros a ser avistado.
  • Templo D – 560 a.C. – 23,53 x 55,96m de estilóbato – 13 x 6 colunas. Também um templo bem alongado do período arcaico. Períptero hexastilo. Pórtico frontal dístilo in antis, mas observem que as antas estão embutidas de modo que o e feito é de um tetrastilo prostilo (ou seja, quatro colunas no pórtico).
Reconstituição do Templo D por Robert Koldewey
Reconstituição do Templo D por Robert Koldewey “Os templos gregos no sul da Itália e Sicília, Asher, Berlim 1899, Volume 2 -Tabela 13.
  • Templo O – semelhante ao Templo A.

Recinto Religioso Novo

  • Templo E – 490 a.C. – 25,32 x 67,82m – 15 x 6. Prostilo hexastilo. Supostamente dedicado a Hera. Pertencente ao século V a.C., este templo já exibe uma arquitetura bem assentada dentro do dórico clássico, porém a planta continua alongada, algo que será cada vez nenos usual conforme avançamos no século V.
Templo E, o templo mais bem preservado do complexo histórico de Selinunte.
Templo E, o templo mais bem preservado do complexo histórico de Selinunte.
Andar por onde somente poucos sacerdotes andavam. O templo E ainda possibilita esta experência.
Andar por onde somente poucos sacerdotes andavam. O templo E ainda possibilita esta experiência.

  • Templo F
     – 560 a.C. – 24,23 x 61,83m – 14 x 6 colunas Prostilo hexastilo. Infelizmente totalmente destruído. Aqui retornamos para a presença do ádito. Algo que parece ter sido comum nos projetos de Selinunte.
  • Templo G (T) – 540 /470 a.C. – 50,10 x 110,36m estilóbato – 19 x 8 colunas – Supostamente dedicado a Apolo. Um dos maiores templos da Antiguidade. Supõe-se que não chegou a ser finalizado.

Seu tamanho sem precedentes transformou sua execução em um projeto muito extenso, passando por diferentes períodos, os quais se refletem principalmente em sua perístase. Há colunas de diferentes diâmetros e com diferentes afunilamentos na junção com o capitel. Colunas dóricas com fustes muito finos também são uma condição do dórico primitivo, embora sejam bem menos comuns. Há também colunas de períodos intermediários e muitas ainda sem classificação.

Neste projeto também encontramos um opstódomo, talvez aberto posteriormente, mas trata-se de um dístilo in antis. Este gigante é um raro exemplo onde podemos observar tantas mudanças de projeto e execução. Hoje resta apenas um única coluna de pé. É interessante observar como os templos gregos de períodos arcaicos, como estes encontrados aqui, possuem projetos extremamente elaborados e foram igualmente ousados em proporções. Projetos grandiosos como do templo G são raros, necessitavam de muitos recursos e não é raro terem sido abandonados antes do término.

Para saber mais sobre os tipos de templo grego e sua nomenclatura acesse nosso conteúdo especial Classificação do Templo Grego.

O entardecer em Selinunte. Geograficamente privilegiada este local perdido no tempo é fonte inesgotável de aprendizado sobre arquitetura da Magna Grécia. Para conhecer a fundo a classificação dos templos visite nossa página de classificação do templo grego com link acima.

Finalizamos com esta sena bucólica dos campos de Selinunte.
Finalizamos com esta sena bucólica dos campos de Selinunte.
*Robert Koldewey (1855-1925) Arquiteto e Arqueólogo alemão cujo trabalho foi de profunda importância, sobretudo por suas escavações na região da antiga Babilônia. Também liderou escavações na Grécia e na Itália.

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