O Templo Grego

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A arquitetura clássica finca suas raízes na arquitetura religiosa helena através de um modelo construtivo padronizado de templo, introduzindo as ordens clássicas e com elas toda uma gramática arquitetônica muito bem fundamentada.

Templo E em Selinunte, Sicilia. 490 a.C. – 25,32 x 67,82m – 15 x 6. Prostilo hexastilo. Supostamente dedicado a Hera. Pertencente ao século V a.C

Acho interessante trazer à tona uma reflexão sobre este tema, apoiada não somente no texto vitruviano, mas também em referências mais atuais, há muito que podemos compreender sobre expressões clássicas posteriores através do conhecimento do modelo mais fundamental de todos.

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O templo era a morada do Deus e

seu acesso interno limitado

à casta sacerdotal.

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Estes dois aspectos da religião e cultura gregos determinam muito da arquitetura do templo. Se este era a morada do Deus então esta  deveria ser “elevada” e seu posicionamento no terreno cuidadosamente determinado. Bem, via de regra a orientação padrão era no sentido oeste-leste, de forma que ao se aproximar do altar, o olhar se voltasse para a direção do sol nascente.

Base-templo
Esquema baseado em Wilfried Koch.

Já no que se refere à sua base, há um “protocolo construtivo” bem elaborado. A base do templo chama-se estereóbato e compreende desde a fundação até o piso do templo. O alicerce (abaixo do solo) é finalizado por uma camada que pode ou não estar aparente, chamada eutintério. Acima deste surge a parte visível da base que compreende três níveis em forma de degraus que é chamada de crepidoma. O último nível é a estilóbata ou estilóbato (dependendo da tradução) e é o piso propriamente dito onde as colunas irão se apoiar e a partir de onde a dimensão do templo será calculada.

As dimensões do crepidoma vão além da escala humana então fez-se necessário abrir corredores centralizados no frontispício para o acesso. Estes corredores consistiam de escadas em escala razoável, sempre em número ímpar de degraus ou rampas de inclinação suave. Os romanos deram ainda mais destaque à elevação de seus templos trocando o crepidoma por pódios bem elevados. Esta é uma das diferenças mais elementares entre os templos gregos e os romanos.

Sobre a planta do templo vemos que o aperfeiçoamento da arquitetura em pedra incorporou paredes laterais, as antas, que avançam e formam um vestíbulo chamado pronau, para acesso à entrada. O interior do templo consiste em uma nau ou cela, espaço fechado e sem janelas onde ficava a estátua da divindade. Em projetos mais sofisticados havia divisões internas deste espaço. No lado posterior à pronau, originou-se também um espaço semelhante denominado opstódomo. Este porém, sem acesso ao interior do templo.

Templo de Segesta, um belíssimo exemplar da ordem dôrica, com seu entablamento e frontão bem preservados. Sua construção data de finais do século V (430 a.C.), com perístase de 6 x 14, hexastilo e estilóbato de 23,25 x 57,50m.

Para saber mais veja: Templo de Segesta

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Vitruvio propõe a proporção do templo com sua largura sendo a metade de seu comprimento. Também sugere que a cela seja um quarto mais longa do que larga e que o espaço restante seja dispensado ao pronau. Embora as considerações sejam de extrema relevância, vemos projetos de diferentes períodos e locais que fogem a esta regra. De modo geral podemos dizer que os templos mais antigos tendiam a ser bem alongados e no Período Clássico esta proporção se equilibra melhor.

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A partir do templo in antis se desenvolvem projetos de maior porte, prostilos, anfiprostilos, perípteros e dípteros com fileiras de colunas circundando todo o espaço fechado (para compreender esta classificação veja: Classificação do Templo Greco-Romano). Há também a variação para o templo circular, denominado tolos, porém com o mesmo princípio de organização do espaço do templo períptero retangular.

 

Esquerda: exemplo de modelo padrão de templo com antas. Direita: planta do Partenon, Acrópole de Atenas, sec. V a.C.
Esquerda: exemplo de modelo padrão de templo com antas. Direita: planta do Partenon, Acrópole de Atenas, 447-432 a.C.

Voltando-se ao seu exterior, o pteroma (espaço delimitado pelas fileiras de colunas externas) era o local mais próximo no qual a população em geral podia estar e tinha a função de permitir a passagem das “procissões”.

Nenhum templo é igual ao outro, mas há sempre padrões recorrentes que proporcionam uma visão mais clara de diversos aspectos. Observe a planta do Partenon acima, templo que marca o auge do Período Clássico (sec. V a.C.). Há uma complexidade no projeto que o torna tão singular. Períptero, anfiprostilo com uma divisão interna em duas celas, o que é raro.

Agora veremos dois templos do período arcaico, dóricos primitivos: O templo de Hera em Olímpia, um dos mais antigos que se tem registro e a Basílica em Pesto.

Planta dos Tempos de Hera em Olímpia e Basílica em Paestum.
Esquerda; Templo de Hera em Olípia, Grécia. Direita: Basílica de Pesto, Itália.

O Templo de Hera (sec. VII a.C.) é excepcionalmente desenvolvido para um templo tão primitivo e apresenta planta bem estreita e longa, característica associada a templos mais antigos. Observe como suas proporções são totalmente diferentes do Partenon. Também há vestígios de colunas e partes internas em madeira, o que demonstra que a troca de materiais não se deu de forma instantânea. Não é raro encontrar indícios do uso da madeira em projetos primitivos, principalmente nas colunas.

A Basílica (565 A.c.) é outro exemplo interessante de dórico primitivo, principalmente por suas proporções, tanto de planta quanto de elevação. Suas colunas baixas e atarracadas nos mostram o quanto a ordem dórica caminhou. Aqui, contudo, sua planta apresenta outra característica interessante, a colunata central única. Novamente temos um períptero, anfiprostilo in antis.

Para saber mais sobre os templos na Grécia Antiga, veja: Os Templos de Selinunte

O templo romano incorpora aspectos da arquitetura etrusca e da grega, porém a gramática grega acaba sendo a dominante, principalmente a partir do início da era imperial (27 a.C.), e se desdobra em diversas interpretações, o Panteão de Agrippa ou Panteão Romano é um bom exemplo, um templo romano circular com projeto inovador, mas que recorre à fachada grega convencional.

Panteão Romano. Sec. I d.C. Roma.

Com o passar do tempo este tema é liberado da arquitetura religiosa e passa a incorporar uma grande quantidade de projetos com as mais diversas finalidades. Desde o Renascimento até a retomada clássica do Neoclassicismo do século XVIII, o frontispício do templo grego é incorporado repetidamente nas fachadas.

Chateau Margaux Castle -1810, Bordeau, France
Chateau Margaux Castle -1810, Bordeau, Franca. Um projeto Neopalladiano que incorpora o tema templo grego.

Para saber mais veja: Chateau Margaux e o Neopalladianismo Francês


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