Já que falaremos muito de história da arquitetura, acho importante apresentar um panorama rápido de seu desenvolvimento ao longo do tempo. Foquei na arquitetura clássica e seus classicismos, pois é o ponto de partida desta pesquisa, mas você verá que a partir daí ficará bem mais fácil situar todos os estilos dentro de uma linha do tempo.  Boa leitura!

A arquitetura que hoje conhecemos como Clássica, começou a se desenvolver na Grécia Antiga entre os séculos VII e VI a.C. Embora tenha havido grande produção arquitetônica antes disto por diversas culturas, foi lá que surgiram as primeiras ordens clássicas e, com elas, o desenvolvimento de uma arquitetura religiosa tão avançada que se transformou no cerne arquitetônico do mundo Ocidental, sendo a partir daí, copiada, reinterpretada e reinventada desde os romanos até nossa atualidade.

Com a ascensão romana outras ordens se estabeleceram e se moldaram a uma nova forma construtiva que passou a incluir o arco e seus desdobramentos em abóbadas e cúpulas, caracterizando a arquitetura Greco-Romana. Ao sair da antiguidade clássica, o mundo entra em grande transformação comandada pelo Cristianismo. Esta nova realidade religiosa propõe grandes mudanças arquitetônicas em um período conhecido como Paleocristianismo. Este termo não é propriamente uma classificação, mas um nome usado para designar a arquitetura que se desenvolveu para os cristãos nos primeiros séculos da nossa era.

Com a divisão do Império Romano em Ocidental e Oriental, a arquitetura também se divide. No Ocidente ocorre uma impulsão na produção arquitetônica diante de um novo modelo de lugar de culto estabelecido a partir do que antes era a basílica romana. Os novos cristãos adaptam este modelo para suas necessidades e constroem as primeiras igrejas cristãs. Já no Oriente, a arquitetura que se consolida em Bizâncio a partir do reinado de Justiniano (527 a 565 d.C.) e mantem sua herança clássica combinada com consideráveis influências orientais, recebendo o nome de Arquitetura Bizantina.

Durante a Idade Média houve espaço para pequenos classicismos ocorridos em maior ou menor intensidade. O Renascimento Carolíngio foi um deles. Este se desenvolveu em um curto período e sob a tutela de uma única dinastia. Mergulhado na Idade das Trevas, o reinado de Carlos Magno, soberano franco que buscou reviver no século IX os tempos de glória do Império Romano, buscou na antiguidade clássica a chancela para um reinado forte e dominante.

Posteriormente, as influências dos povos do norte da Europa provenientes dos Godos, Vândalos, Saxões entre Outros, influenciaram e modificaram a linguagem arquitetônica, estabelecendo o Estilo Românico durante os séculos XI e XII e mantendo o classicismo adormecido no Ocidente.

Na Europa do século XIV, mais especificamente em Florença, uma série de acontecimentos, não somente arquitetônicos, mas também culturais, econômicos e políticos, resgatam os valores da arquitetura greco-romana e os reinterpretaram, tirando o mundo da vida medieval e dando início à Idade Moderna. Este movimento é o que chamamos de Renascimento e sua principal característica é o retorno do homem como centro de todas as atenções e representações artísticas.

Infelizmente por toda a história, ondas de grande desenvolvimento se intercalam com períodos de opressão e fortes mudanças. Do mesmo modo, o Renascimento é seguido por um período muito discutido entre os pesquisadores, chamado Maneirismo. O brilho renascentista é ofuscado por um breve momento até que se abre caminho para um novo classicismo comandado desta vez pelo exagero. O Movimento Barroco dita a arquitetura europeia do século XVII ao século XVIII. A partir de Roma se espalha para outros países católicos onde tem fervorosa acolhida graças ao espírito militante do catolicismo contra-reformista. Sua plasticidade procura despertar respostas emocionais no espectador, envolvendo-o espiritualmente no tema. Apesar de ter atingido extremos de grande teatralidade, o Barroco alcançou uma nova unidade de todas as artes mediante mudanças na concepção do espaço e grande movimentação da forma.

Após o Barroco ingressamos em um novo resgate da antiguidade através de um movimento que ficou conhecido como Neoclassicismo.  Iniciado na segunda metade do século XVIII, foi influenciado pelo desenvolvimento da arqueologia com seus achados do mundo antigo. O Neoclassicismo contradiz o exagero do Barroco e revive os padrões artísticos da antiguidade clássica romana de forma limpa e pura. Este resgate foi tão intenso que chegou às Américas e manteve fortes ondas construtivas até o século XX.

Fechamos assim, um panorama de classicismos no mundo Ocidental. Como pudemos ver, os fundamentos clássicos estabelecidos no século V a.C. na Grécia, se mantiveram vivos através dos milênios. Propiciaram reflexões, interpretações e regionalismos, nos concedendo grande material para estudo e análise, uma amostra de como o homem pensou e fez sua arquitetura através dos tempos.

Introdução às Ordens Clássicas

Introdução aos Fundamentos das Arquitetura Clássica

Introdução à Grécia Antiga

Introdução à Roma antiga
Introdução ao Renascimento