Explorando o Erecteion

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Um projeto fora do padrão, complexo e cheio de detalhes. Conheça um dos templos mais enigmáticos da Grécia Antiga.

Vista sudoeste. O Erecteion foi dedicado a mais de uma divindade, Palas Atena e Posseidon, além de um rei mítico grego chamado Erecteu, de onde se originou seu nome.

 

google-maps-icone-baixaO Erecteion é um projeto diferente, pois trabalha com vários níveis de terreno e pórticos. Foi construído entre 421 a 409 a.C., na Acrópole de Atenas. Veja a localização exata atravéz do link do Google Maps.

Mas por que o Erecteion foi constrído desta forma tão incomum? Bem, existem algumas pistas para tal composição que são comumente aceitas.

A primeira refere-se à necessidade de vários ambientes para adoração de diferentes deuses e símbolos sagrados. O templo é dedicado a Palas Atena, Posseidon e a um rei mítico grego chamado Erecteu, de onde se originou seu nome.

A segunda refere-se às restrições do terreno. Dotado de declives, está bem perto dos muros da Acrópole no lado norte, e sobre as ruínas de um templo anterior dedicado a Atena Polia ao sul. De maneira que trabalhar em vários níveis seria a forma mais viável de se constrir neste terreno.

 

Fachada Oeste
Fachada Oeste

Observando sua planta baixa, podemos extrair de seu desenho complexo, os elementos arquitetônicos clássicos que nos são mais importantes e estabelecer uma relação com desenho padrão de templo grego.

Se eliminarmos os pórticos norte e sul, nos restará um desenho característico de templo clássico prostilo. A leste temos um pórtico hexastilo coroado com frontão e telhado de duas águas, padrão de modelos construtivos tipo templo. Este telhado se estendia até a fachada oeste, mantendo o mesmo nível e adequando-se ao declive do piso. Para saber mais veja: Classificação do Templo Greco-Romano.

Ao invés de um pórtico padrão prostilo, o lado oeste desta nau exibe um conjunto de quatro colunas embutidas ou meias colunas se intercalando com aberturas nas paredes preenchidas por possíveis gradis de madeira. A solução arquitetônica empregada aqui é muito interessante, pois mantém estas colunas embutidas a partir de considerável altura do piso (em torno de três metros), de forma a exibirem certa simetria com a fachada oposta. Até mesmo nas quinas podemos observar pilastras “agindo” como antas nas duas extremidades oeste e se opondo às antas do pórtico leste. Desta maneira, partimos de um modelo padrão de templo que acaba sendo ocultado pelas extensões ao norte e ao sul, em diferentes níveis.

Pórtico leste.
Vista sul.
Pórtico das Cariátides.
A porta Norte restaurada
A porta norte também é muito comentada por diversos autores, porém, prefiro me ater à sua moldura em mármore, uma restauração romana, mas que nos permite contemplar os consoles e o lintel finamente trabalhados.

O pórtico leste dá acesso à cela de Atenas e a fachada oeste faz referência a uma mítica oliveira.

Há consenso sobre a existência de uma parede interna de eixo norte-sul dividindo a ala leste da oeste, assim como se supõe uma subdivisão da ala oeste formando três recintos ou celas menores.

Já o pórtico norte é o de maior pé direito, pois se situa no nível inferior do terreno. Muito imponente, é um prostilo tretrastilo com projeção muito maior do que o citado anteriormente (fachada leste). Para vencer esta projeção, possui uma coluna recuada nas extremidades de cada lado e, finalmente, uma referência às antas. A base de suas colunas é ática e o crepidoma parece seguir o padrão clássico com seus degraus.

A fachada sul exibe o famoso pórtico da cariátides. Bem menor, também poderia se considerado um prostilo tetrástilo, porém aqui, não há acesso externo, caracterizando-o muito mais como uma tribuna. O uso destas esculturas femininas como colunas é mais uma característica da ordem jônica.

Supõe-se que abrigue uma cripta, talvez por esta razão a natureza do trabalho diferenciado. Vale ser dito que estas esculturas são réplicas, sendo que as originais se encontram atualmente no Museu de Atenas e uma no Museu Britânico. Embora sejam os elementos mais divulgados com relação ao Erecteu, você sabe o que elas simbolizam?

Vitrúvio fala sobre a origem da palavra “cariátide”, como original de Cária. De onde eram as mulheres que foram castigadas e escravizadas por envolvimento com os persas. Sua representação é rara, assim como todo o edifício. Foram esculpidas por um aluno de Fídias chamado Alcâmenes.

Quanto às elevações, acredito que a fachada oeste seja a mais interessante e a que melhor nos mostre a complexidade da construção. Através dela, visualizamos os três níveis bem distintos e conseguimos ver a diferenças de altura dos pórticos e proporção das colunas. Observe como há um cálculo apurado dos níveis de encaixe do telhado norte com o principal (leste-oeste). Já o pórtico sul é desprovido de friso ou frontão.

Mas se houve limitações construtivas, estas foram suprimidas pelo projeto de ornamentação. Extremamente trabalhado, difere do padrão grego muito mais contido. Seus ornatos foram minuciosamente executados e refletem a ordem jônica clássica. Vale destacar o uso de mármore negro (pedra eleusiana) nos frisos, promovendo contraste com as esculturas em mármore pentélico branco, mesmo que na época, pintadas. Os capitéis são outro espetáculo a parte. São considerados os capitéis jônicos mais ornamentados.

O Capitel Jônico do Erecteu (Acrópole de Atenas, Grécia), é um dos mais belos e ornamentados capiteis jônicos da arquitetura grega clássica. O Erecteu foi construído entre 421 e 407 a.C.,  dentro do chamado período clássico e exibe uma ordem jônica peculiar.

A principal diferença em relação aos demais exemplares é a ornamentação do colarinho, no início do fuste. Motivos vegetais lótus e palmeta esculpidos na pedra, arrematados em cada extremidade por astrágalos de conta e rosário. O equino também exibe um plus, uma linha de meandros acima dos tradicionais óvalos.

As volutas são outro ponto interessante, além da multiplicação das nervuras nas espirais, visíveis frontalmente, podemos observar, através da reconstituição acima, astrágalos paralelos conta e rosário, dando movimento gracioso aos coxins. Este padrão de ornamentação é extremamente rebuscado para a ordem jônica, mesmo em se tratando dos capiteis.

Entablamento e capiteis em detalhe.

É importante dizer que o Erecteion de hoje é resultado de restaurações, substituições e subtrações que foram ocorrendo ao longo do tempo. E muitos dos elementos de ornamentação originais só podem ser vistos em museus. Mesmo assim ainda vale vê-lo ao vivo.

Historicamente,

este é um templo de extrema importância, ligado à Era de Péricles e à onda construtiva da Acrópole de Atenas.

Arquitetonicamente,

é fantástico pelo diferencial de seu projeto e riqueza ornamental.


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