3 Momentos da Arquitetura Clássica

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O que você precisa saber para identificar a arquitetura grega, romana e bizantina.

Detalhe de capitel coríntio em Éfeso, hoje território Turco. O capitel coríntio foi adotado pelos romanos e eleito seu favorito.

Quando falamos em arquitetura clássica, Grécia, Roma e Bizâncio estão entre as culturas mais marcantes, largamente estudadas e referenciadas. Para a arquitetura ocidental, o legado clássico deixado pelos gregos antigos, herdado e adaptado pelos romanos e novamente adaptado pelos mesmos romanos frente ao cristianismo e à porção oriental do Império, lançam três conceitos arquitetônicos fundamentados nos mesmos princípios clássicos, porém desenrolando-se em meio a fortes influências culturais, religiosas e geográficas.

Então, como identificar cada um deles?

É mesmo fácil se confundir em meio ao profundo entrelaçamento destas culturas, então organizei conceitos chave que podem ser memorizados facilmente e que refletem a essência de cada uma delas. Esta síntese faz parte das primeiras pesquisas que fiz em história antiga, foi muito útil quando me aprofundei no assunto e espero que te ajude também.

É baseada nas obras de John Summerson “A Linguagem Clássica da Arquitetura”, E.H. Gombrich “A História da Arte” e a coletânea ” Art – A World History”. Para maiores detalhes acesse Referências Bibliográficas.

Então vamos lá!

1. Arquitetura Grega Clássica – 700 a 27 a.C.

Dois dos principais ícones da arquitetura Grega do Período Clássico. Ordens dórica e Jônica lindamente representadas. Esquerda: Partenon 447- 432 a.C. Direita: Erecteu 421 – 409 a.C.

Proporção e equilíbrio das formas. 

coluna-lintel – ordem dórica – ordem jônica – proporção e equilíbrio

Desde os primeiros exemplares em pedra datados do século VII a.C. até os últimos projetos ainda sob autonomia grega já na era cristã, a exatidão geométrica estabelecida através das ordens clássicas promoveu de ponta a ponta uma arquitetura totalmente ortogonal e retilínea. Tanto exemplares religiosos como públicos e a própria urbanização grega, se baseiam na ortogonalidade e a arquitetura no conceito coluna-lintel*.

Outros dois termos chave que proponho para a distinção clara da arquitetura grega pura, são nada mais que suas duas ordens fundamentais: ordem dórica e ordem jônica. Durante o Período Clássico que perdura por pouco mais de um século, entre 500 e 323 a.C., a ordem dórica se encontra plenamente desenvolvida e coexiste com a ordem Jônica, recém chegada das colônias orientais. Neste momento de grande expansão territorial, Atenas se coloca na vanguarda arquitetônica dando inicio a sua fase construtiva mais notória. Partenon e Erecteu, por exemplo, nomes famosos que estamos acostumados a ouvir, são estruturas que tem em comum a proporção e o equilíbrio das formas primorosamente desenvolvidos através da gramática das ordens dórica e jônica. Ambos datam do período clássico e ilustram o conceito coluna-lintel.

Detalhe do entablamento do Erecteu. Mesmo sem as esculturas do friso, continua sendo um exemplo magnífico de ordem jônica.
Detalhe do pórtico do Partenon, a ordem dórica em seu momento de maior desenvolvimento.

As gradativas conquistas romanas sobre territórios gregos compreendem o período conhecido como Helenístico – 323 a 27 a.C. É com base neste período que o termo greco-romano se fundamenta. Para saber mais acesse O Termo Greco-Romano.

2. Arquitetura Romana – 27 a 476 d.C

Como representantes da arquitetura romana, não poderia deixar de fora o Coliseu (Anfiteatro Flaviano) 72-85 d.C., que é um ótimo exemplo de arquitetura modular de grandes proporções e inúmeros pavimentos. A direita, o domo do Pantheon, Roma, inconfundível com seu famoso óculo, 117 – 138 d.C.

Arquitetura a serviço do Estado.

arco e ordens – ordem coríntia – grandes proporções e modulação

Os romanos empreenderam grandes avanços técnicos promovendo projetos com maior flexibilidade de escala e incluindo vários pavimentos. Este desenvolvimento foi fundamental para alavancar o crescimento e união do Império. De maneira que a arquitetura literalmente foi fator decisivo para os romanos chegarem onde chegaram, o que explica tamanha dedicação nesta questão.

O arco e seu desdobramento em abóbodas e cúpulas foi uma das maiores contribuições, tornando possível através da modulação, vencer espaços cada vez maiores. Mas o arco sozinho não caracteriza a arquitetura romana, muitas outras culturas o utilizaram de diversas formas, a grande sacada romana foi a combinação do arco, com propósito estrutural, combinado à estética das ordens clássicas. Esta fusão abriu caminho para uma flexibilidade artística muito maior, largamente explorada em classicismos posteriores. Este é um ponto muito importante, arco e ordens combinados caracterizam a arquitetura romana.

Outro ponto de extrema relevância é o desenvolvimento da ordem coríntia, antes apenas um desdobramento da jônica, é com os romanos que este novo capitel ganha status de ordem embalado pelo grande apelo estético de sua ornamentação.

Arco Triunfal de Tito. Dinastia Flaviana, Forum Romano. Os arcos triunfais são perfeitos para se compreender como os romanos trabalharam a composição arco e ordem. Observe como existe um equilíbrio muito bem calculado entre o arco que tem função estrutural e as colunas com seu entablamento adequado a esta nova situação, agora não mais exercendo qualquer função estrutural.

A arquitetura romana define verdadeiramente sua identidade a partir do Reinado de Augusto em 27 a.C. quando o Império é estabelecido e finda com a queda do Império Ocidental em 476 d.C., abrangendo o período de consolidação do Cristianismo e consequente desenvolvimento de sua arquitetura religiosa, denominada Paleocristã.

3. Arquitetura Bizantina – 527 a 1453 d.C.

A Hagia Sophia, (Sagrada Sabedoria) 532 – 537 d.C. Istambul, Turquia.

Arquitetura a serviço da Religião.

basílica – influência oriental – mosaicos

Fidelização e cristianização através da arte. A arquitetura que até então estava a serviço do Estado se volta agora para o serviço religioso. As basílicas, espaços públicos existentes no mundo pagão, emprestam seu modelo arquitetônico para o culto cristão. A partir daí há uma grande transformação na arquitetura religiosa, e esta transformação se reflete na arquitetura bizantina, que se consolidou justamente pós oficialização do cristianismo pelos romanos. É com Justiniano a partir de 527 d.C. que podemos falar de um estilo artístico bizantino. Este perdurou até sua conquista pelos Turcos, em 1453 d.C.

Também não podemos ignorar que Bizâncio, antes de pertencer aos romanos, era uma colonia grega. De maneira que assim como outros territórios gregos conquistados, aqui também já havia uma cultura clássica fortemente arraigada.

Bem, este classicismo sobrevivente teve que se adaptar ao cristianismo e às influências da arte oriental. E podemos identificar bem estas diferenças reparando na ornamentação arquitetônica, as ordens passam a exibir uma linguagem artística muito mais livre e totalmente incoerente com o mundo grego e romano antigo. Os mosaicos tomam conta dos interiores substituindo as antigas estátuas pagãs por composições figurativas que comunicam trechos bíblicos. É a arte passando a desempenhar a função de serviço religioso que falamos acima.

Embora o maior referencial de arquitetura bizantina seja a própria capital do Império Romano Oriental, há outros exemplares fantásticos espalhados pela Europa, sobretudo em território Italiano.

O mosaico é uma técnica herdada dos romanos e muito utilizadas pela arquitetura bizantina. Esquerda mosaico do Cristo Pantocrator da Hagia Sophia, um ícone da arte cristã. A direita um pouquinho do interior da Hagia, observe estes capiteis, são jônicos, mas dentro do contexto oriental de ornamentação.
Istambul moderna, de tirar o fôlego, não? A esquerda a Hagia Sophia e a direita a Mesquita otomana do Sultão Ahmed, conhecida como Mesquita Azul, 1609 – 1616.

*Coluna-lintel colunas suportando o peso de vigas ou linteis.


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