A Criação de Adão – Um Convite à Sistina

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Todos conhecem bem esta obra de Michelangelo, a Criação de Adão faz parte do conjunto de cenas que compõe o teto da Capela Sistina, no Vaticano. O que eu gostaria de compartilhar é um pouco mais do contexto artístico e intelectual que envolveu esta obra em meio ao movimento que viríamos a chamar de Renascimento.

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Afresco “A Criação de Adão” (2,80 x 5,70m), teto da Capela Sistina, Vaticano, Roma. 1512. Um dos detalhes mais representados a pintura clássica, igualado por muitos estudiosos à Mona Lisa de Leonardo da Vinci, o momento da criação humana, a vida sendo insuflada em Adão através de um Deus humanizado.
Vista geral do teto com destaque para nosso afresco em quetão, bem no centro. Todas as cenas foram estrategicamente posicionadas.
Vista geral do teto com destaque para nosso afresco em questão, bem no centro. Todas as cenas foram estrategicamente posicionadas.

Michelangelo não aceitou alegremente o convite para a pintura da Sistina, mas é certo que o fez de forma primorosa. Esta é a mágica de Roma, grande parte de sua arte são afrescos espalhados por paredes e tetos, tão intrinsecamente ligados à arquitetura, que é impossível analisar um sem incluir o outro. Os afrescos italianos estão tão arraigados à cultura arquitetônica da Península Itálica que fazem parte dela, a completam e determinam sua personalidade.

A Capela Sistina, para quem desconhece  a simbologia de sua arquitetura, poderia, com facilidade, passar despercebida. Seus afrescos entretanto, são outra história, cobrindo quase que completamente seu interior são a expressão de grandes gênios como Perugino, Ghirlandaio, Botticelli e o próprio Michelangelo. O teto, pintado posteriormente às paredes laterais, marca a presença de Buonaroti como pintor renascentista. Após muitos anos  ele retorna para fazer o grande painel do juízo final.

Dentre todas estas cenas religiosas representadas, vejam, são mais de mil metros quadrados de pintura, este é considerado o maior afresco do mundo, imagino que a grande maioria das pessoas que a visitam não se lembrem em detalhes das outras cenas. Então por que A Criação de Adão em especial desperta tanta atenção?

Bem, o tema em si é muito interessante e coloca o homem em primeiro plano, algo importantíssimo para o pensar renascentista.

Um Deus humanizado insuflando a vida no primeiro homem, concebido à sua imagem e semelhança. A forma como o texto bíblico foi representado enfatiza o Humanismo*, filosofia que ganha força e sustenta as transformações que colocariam o mundo na era moderna.

Além disso, a curiosidade pelo saber científico é outro ponto que merece atenção. Hoje sabemos que o manto que envolve Deus e seu secto de anjos na realidade representa o corte transversal de um cérebro humano com todas as suas partes minuciosamente reproduzidas. Este “segredo” se manteve incógnito por muito tempo, quando um cirurgião americano visitou a Capela e expôs sua descoberta ao mundo. Depois que visualizamos o desenho de um cérebro, não é nada sutil, está declarada a devoção ao conhecimento anatômico interno do corpo humano. E neste ponto deve-se levar em consideração a influência da comunidade judaico florentina, detentora de uma medicina avançada para a época, sua simbologia foi representada por Michelangelo não somente nesta pintura, mas em seu trabalho como um todo.

Finalmente, o fomento da produção artística por famílias influentes, assim como pelo próprio Vaticano, impulsionaram a arte Ocidental para um de seus grandes momentos. Boa visita à Sistina!

Se você se interessou pelo tema e quiser saber mais sobre a Capela Sistina, sugiro a leitura de “Segredos da Capela Sistina – As Mensagens Secretas” que você pode comprar no site da Livraria Cultura diretamente por este link.

*Humanismo: O retorno ao estudo das ciências humanas em detrimento do estudo das escrituras. As artes humanistas eram consideradas aquelas que envolviam fundamentos teóricos e, portanto, exigiam intelecto humano: Dialética, Gramática, Retórica, Filosofia e Matemática esta última compreendendo: Geometria, Aritmética e Teoria Musical.